Observei com atenção a hesitação em se aproximar de mim. É sempre a mesma coisa, toda vez. Ela fala que eu tenho cara de mulher ruim, mas basta ela me ligar de madrugada que eu atravesso a serra do mar, eu pago preços absurdos em aplicativos de transporte, eu faço o que for... Mas eu me coloco na presença dela, 100% disponível pros problemas e dilemas dessa relação de merda.Eu critico tanto quem só fala sobre saudades, mas aqui eu estou: mascarando a saudade escrevendo sobre essa foda gostosa que ela me dá. Escrevendo sobre o quanto beira a covardia ela só de calcinha, me olhando e me pedindo pra lamber seu corpo, me assistindo botar devagarinho, com essa cara bonita que ela tem, com esse olhar castanho que fecha o tempo mas ainda me abre as pernas. Eu consigo ser tão contraditória e hipócrita, mas eu assumo que tudo em mim fica difícil de entender quando eu me percebo afetada pelo alvoroço no meu peito com esse simples contato. Um bora vindo desse mulher é sempre uma ordem pra mim. Estamos okay, jusqu'ici tout va bien... Sei lá. Talvez nem tout va tããããão bien assim, mas quando eu a encontro gosto de passar uma borracha em tudo que eu sinto e me permitir viver mais esse impacto ao lado dela. Quando eu sinto as ondas molhadas da sua buceta eu acredito que tout va bien pra caralho. Ela nua cessa meus questionamentos, zera o barulho e os pensamentos. Ela nua é silêncio na minha cabeça, e eu gosto. Da marquinha, da pele queimada, de cada botada que eu dou um pouco mais forte, do cheiro dela suada, da boca. Eu gosto do cheiro dela, do cheiro dela molhada, dela.suada, do sabor de paixão que tem seu beijo, de quando minha língua encontra a dela e eu preciso aceitar que eu sempre vou estar nas mãos dessa mulher e ela, por sua vez, sempre estará em meus dedos. E posso garantir que quando ela está em meus dedos, o mundo inteiro parece que volta pro eixo. Quando minha língua desliza pelas curvas do seu corpo, eu vejo que nunca estive perdida. Eu conheço cada canto dessa mulher de olhos fechados.
Ela está quase bêbada, eu estou bêbada. Nada fora do comum, pra nós. Ela colocou mais um pouquinho desse vinho vagabundo na minha taça, essa é a graça. Estar aqui em sua presença, aceitando, completamente que não importa o que a gente faça, o destino sempre dá um jeitinho nos me fazer voltar e me convida a olhar pra essa cara de mulher que me deseja, que anseia o contato, a cara dela de quem espera algo. Eu retribuo com uma foda intensa. Ela, às vezes me ama e às vezes me odeia, mas fode comigo em busca de uma troca sincera de sentimentos e eu entrego pra ela meu amor como quem já não quer mais lutar. Eu sinto muito, porra! Eu sinto pra caralho. O querer me ferve os pensamentos, me enche o peito, a saudade que ela me causa é absurda, eu sou fã dessa mulher demais. Mas nada se compara à saudade que eu tenho de olhar pra ela nua nesse quarto, sentada no meu colo, na minha cara ou de quatro. É uma vontade absurda essa que compartilhamos, uma coisa de louco, uma coisa nossa. Tão particular que às vezes eu nem tenho o que falar. É pele. É contato. Dá choque. É nosso.
Ela me come de um jeito tão especial que eu não consigo parar de olhar pra ela com poesia, de gemer seu nome em cada canto das minhas linhas, de lembrar do quanto eu gosto de saborear essa mulher no sigilo do nono andar, mas em qualquer lugar eu ainda iria adorar ter ela comigo.
Vou embora pensando que nada seria de mim, das minhas poesias, do meu dia a dia e é isso que me inspira: mulheres boas demais, mulheres que tem meu encanto, eu jamais me denominaria mulherenga, apenas fã demais de um componente romântico.

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