Tudo entre nós sempre começa com uma taça de vinho e ela vindo de mansinho acalmar meu furacão, é sempre o mesmo. Juro.
Todas as noites em que nós estivemos na vida uma da outra, sempre teve maconha, vinho, buceta e uma saudade imensa que me fez ficar, a mesma saudade que ainda me faz voltar mesmo no auge da minha maturidade emocional ou desequilíbrio, sei lá. Mas ela ainda me causa tantas sensações, boas, estranhas, ruins, tudo junto e misturado sempre.
Nada muda aqui.
E adivinha só?
Já estou aqui de novo, bolando um baseado enquanto ela abre um vinho que ela trouxe de Porto. E eu só quero ficar louca, tirar sua roupa, beijar sua boca, sentir o corpo dela arrepiando na ponta da minha língua, sentir ela molhando nos meus dedos enquanto eu puxo a calcinha dela pro lado, assim, sem pudor nenhum... Me afogar entre suas coxas e desejos. E esquecer que se existe uma vida do lado de fora desse apartamento, e incrivelmente hoje: as paredes brancas e o vento que não cessa parecem aconchegantes e receptivos à essa louca vontade que nos atravessa.
Ela me acha menina travessa, no outro dia eu sou mulher e filha da puta, é uma disputa pra ela decidir o que ela quer de mim. Eu sou eu, sem culpa e sempre criando espaços pra ela na minha vida.
Foda que ela não sai da minha cabeça, eu ia adorar falar que dela eu só quero buceta, mas não é bem assim.
E eu? Eu só sei que sempre foi assim.
Enfim.
Duas, três, quatro, cinco, ela me pede "abre outro vinho?" e vamos pra mais umas seis taças, ao ponto da gente já não impedir mais nada, sentadas na sacada, álcool na mente e a gente perdeu totalmente a vergonha na cara. A gente bebe e esquece as tretas da semana passada. Se eu tivesse com raiva, botava nela de quatro pra nem olhar na cara... eu sou suja mesmo. Ela é pior. Por isso inflama, explode, causa sensações, é louco isso.
Sei lá, minha mente viajava na onda do vinho e do baseadinho, ela fala muito sobre momento-presente e minha mente ausente sempre viajava. Só foquei nela 100% quando ela tirou a camiseta, o sutiã... chegou mais perto e me perguntou quem eu tô comendo agora, eu dou risada. É isso que ela acha? Se ela soubesse que hoje em dia eu não tenho tempo pra mais nada, que ao contrário dela eu não sou herdeira, nem mimada. Eu sou mó paz, mas ela não sabe de nada. E eu nem respondi porque eu não consegui formular uma frase corretamente, eu acho absurdo essa mulher e seu corpo, que me engole. Me sequestra os olhares, eu acho absurdo mesmo como os anos deixam ela ainda mais linda. De como nós duas mudamos de quando tínhamos só dezesseis anos e uma cabeça cheia de planos e vontade. Quanto mais passageiro achei que fosse tudo isso, mais ela se instalou na minha vida, deitou e rolou nas minhas verdades, nas minhas intenções. E ainda assim é impossível negar o quanto a gente se conecta hoje em dia.
É foda, mexe muito, é mil grau, um absurdo. Eu fico em pleno estado de entusiasmo com sua voz, sua presença na mesma cama que eu, trepar com ela é tipo sorte. Eu não consigo pensar em mais nada quando a pele dela quente toca a minha. Queimada de sol, eu só penso em beijar sua marquinha. Cor de canela, um gosto que só encontrei nela... E tudo se alinha.
Acho que minha vida será eternamente um looping de participações especiais na vida dessa mulher.

0 comments:
Postar um comentário