quarta-feira, 20 de maio de 2026

te querer bagunça minha vida

Eu observava e apreciava a quietude do bairro litorâneo pela sacada do nono andar, enquanto ela enrolava um baseado, com aquela técnica ridícula de bolar usando cartão que eu sempre gostei de implicar e falar que complicava tudo, enfim. Lá estávamos nós, eu, ela, nossa atração matadora, muito tempo livre e uma cabeça totalmente vazia dando espaço pra ações mirabolantes que só são executadas porque nossa saudade é ditatorial. É incrível o poder que ela tem sobre minha libido, a incapacidade que eu tenho de falar não pra essa mulher. Como falar também? Se meu corpo implora o contato, deseja o tato, meus lábios, dedos e pensamentos conseguiram memorar o seu corpo inteiro com tamanha precisão que às vezes eu acho que eu tenho a biometria do corpo dela. Eu beijo um pouquinho abaixo do umbigo e automaticamente suas pernas abrem. Playboy, mimada, filha da puta.
Acendi o baseado, quebrando a lei do duende de quem bola, acende e foda-se. Lá estávamos nós, mais uma vez, exercendo a liberdade que nos foi concedida e conquistada. A mulher que eu sou hoje não se apega mais ao passado, por isso que estamos aqui. Mas acho que isso já nem surpreende tanto, ainda mais a mim, que cedo com a voracidade de quem não consegue ficar sem o beijo dela, sem observar ela andando nua por aquele apartamento branco, sem morder seu rabo, sem lamber ela inteira de quatro, sem comer ela de lado e sem olhar os cabelos dourados dela mexendo enquanto o vento invade a casa. Sei lá. Aqui venta pra caralho, ainda mais no frio. Eu acho ela tão atraente que eu poderia realmente ficar por muito tempo falando sobre todas as coisas bonitas que eu enxergo nela.
Enfim.
Ela me serviu uma dose daquele vinho vagabundo, que ela diz que nem mesmo deveria gastar suas taças Baccarat que foram um presente da avó, com aquele vinho vagabundo que a gente adora. Playboy do caralho, foda é que eu gosto dela, eu gosto do vinho vagabundo, ela bem sabe que eu tô pouco me fodendo pro preço dessas taças bregas, mas eu sou filha da puta e ela sabe muito bem que eu só quero ouvir ela pedindo "empurra", depois do vinho, eu venho pra isso, aliás. Pra que nossa conexão de um sexo gostoso e confortável nunca se desfaça. Anos e anos de aprimoramento, acho que hoje ela é capaz de me fazer gozar somente me olhando se ela quiser, juro.
Enfim.
02h18 de uma terça feira comum. O que a saudade, misturado com vinho e baseado não faz hein?
Nossos beijos foram criando velocidade, um peso conhecido e confortável na respiração, uma aceleração de movimento, uma movimentação de sentimentos, o ar quente pra dentro daquela boca e os gemidos que demandam ação e pronto:  seus lábios, língua, dentes, tudo... descendo rumo ao meu pescoço, meus seios enquanto seus dedos insinuam a entrada em mim, mal sabe ela o quanto eu quero ela dentro. Entrando forte e lento. Eu poderia pedir, sei lá, eu poderia implorar e não que eu precise mas sabe quando a parada vai ficando absurda? Eu não sei esperar, os dedos dela me tocam e eu nem preciso dizer que além de portas, minhas pernas estão sempre abertas pra essa mulher, né? Ela deitada no chão da sacada, não sei como isso me surpreende. Minhas coxas decoravam suas orelhas, eu de joelhos em cima dela, suas mãos abraçaram minhas coxas, enquanto me incentivavam a ativar meu modo vagabunda prime. Sua saliva quente na minha buceta ainda é minha fonte de calor favorita, entende? Quando eu gozei, escorreguei o meu corpo para que a gente se encaixasse como um todo. Beijei seus lábios com dezenas de pensamentos impuros me ocorrendo e eu lá, escorrendo desejos impróprios enquanto ela me dedilhava como quem caçava assunto, ainda. Se ela quiser, ela terá.
E preciso eternizar aqui, nas minhas linhas, que quando ela me chupa, o beijo dela fica mais doce.
Será que é por isso que ela sempre quer me comer de novo? Sei lá.


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