sexta-feira, 20 de março de 2026

corro pra não ser alvo da flecha...

Minha maior confissão é que às vezes sinto falta de escutar a voz dela e aí eu boto play na minha lista infindável de áudios de quando ela falava que me amava ainda, uns vídeos que a gente gravou da nossa putaria, sem brigas idiotas pela manhã. Nós éramos ainda jovens e loucas transando e amando como se não houvesse amanhã. Pra nós, não teve mesmo. O encanto acaba, o tesão nem sempre. E isso foi meio que empurrando a gente, até chegarmos a esse ponto. E olha a que ponto chegamos, puta que pariu.
Agora encaro ela do alto do nono andar, eu já nem tenho mais o que escrever ou o que falar, então eu chego, conto besteira, falo sacanagem e ela ri, entra no jogo, bolo um baseado e ela bola mais outro. Uma dose de whisky, ou qualquer coisa que faça nossa cabeça virar, minha mão entrelaça seu cabelo, minha língua na sua boca, ela me beija e sussurra que vai me dar e novo e eu transo com ela como se fosse minha única forma de comunicação plena, onde ela me entende e eu entendo ela. Onde a gente se encontra. Nosso único ponto em comum: o tesão que a gente sente uma pela outra. Eu ainda me sinto peixe, mas acho que agora me sinto um pouquinho menos inteligente. Eu ainda cedo, com fome, sem pressa, mema fita toda vez... nada muda e eu sou fadada a comer pra sempre essa buceta e ficar presa nesse ciclo que não me acrescenta em nada.
Mas é isso: eu ainda cedo.
Eu ainda não sei perder a oportunidade de observar ela nua, despida de orgulho, ela fica mais linda ainda depois que eu tirei seu vestido, sua calcinha.... Tudo.
E olha que hoje em dia ela nem é mais a mulher que mais me interessa, tem outras mulheres que eu faço muito mais festa, devoro com muito mais fervor. Mas é ela, sempre ela, e a fome que eu sinto dela continua a mesma, com a mesma pureza e intenção. Chega a ser uma parada meio louca até. Eu acho, sei lá, deve ser ego da minha parte, uma dificuldade, um obstáculo, e juro: nem sei se é mais tão prazeroso assim enquanto eu entro e a expressão dela muda na hora. É um delícia mas é muito foda pra mim depois, então é uma delícia até a página dois. Tem coisas que ficam muito mais gostosas quando estão só na ideia.
Ela nunca entendeu como a cada briga, eu conseguia fingir que ela nunca existiu na minha vida. Um mês, dois, três... Um ano depois, a gente trepando na sala como se nunca tivesse acontecido nada.
Ela nunca entendeu porque eu sempre voltei. Às vezes, nem mesmo eu. E olha que sempre foi uma briga pra saber quem era mais ou menos cuzona.
Ela sempre foi mais explosiva.
Eu sempre fui bem mais cruel e estrategista.
Mas eu esqueço rápido, afinal... sou peixe. Oito segundos de memórias e depois já é outra história. Meu coração é bom, mas eu sou racional pra caralho também.
Eu sempre amei essa mulher, mas eu sou egoísta, né? Amor não é tudo, amor sozinho não leva ninguém pra lugar nenhum. Por isso estamos aqui, anos e anos, treta após treta, zero comprometimento, entregando ciúmes e buceta. Muitas fodas e tretas.
O que a gente achou que seria eterno, eternizou do jeito errado.
Eu acho.


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