sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

hoje eu só quero ser sua, sua, suuuuuuua

Tem coisas que eu não entendo. Entra ano, sai ano... Tudo muda e ao mesmo tempo eu ainda me vejo igual. Ela ainda habita minha cabeça. Mesmo que eu nunca mais tenha tocado no nome dela, a não ser na minha terapia e pra ser honesta, cada vez menos hoje em dia. No fundo, eu sei que eu ainda desejo despir cada peça dela com o mesmo rigor e fervor do meu amor, de sempre. Não penso nisso todo dia, só quando aparece a oportunidade. Eu nunca mais tinha colocado meus pés no nono andar, mas eu tenho absoluta certeza de que toda vez que eu entrar naquele hall, olhar para aquele velho sofá branco, o espelho, o piso frio, tudo... o frio na barriga será inevitável, sempre foi. A cada novo carnaval que passa, a cada visita inesperada, eu percebo que nunca esqueci nada, eu só deixei de lado, mas essa história nunca dorme. Nunca morre. Nunca acaba.
A gente tem uma atração estranha e essa mania de reviver histórias e revisitar memórias. Ressuscitar sentimentos. A gente sempre sabe o que acontece.
E eu não sei mais o que eu devo sentir agora ou o que eu quero sentir, aliás. Penso também que talvez eu nem queira mesmo sentir mais nada. Mas aí ela bota aqueles olhos castanhos em mim... E pronto. Eu ainda estou ali. Percebo que talvez eu ainda seja um pouco emocionalmente investida nessa mulher. E eu esqueço qualquer coisa que veio antes do agora. Porque não sentir algo, seja lá o que for, não é possível pra mim, e parando pra pensar, o agora é tudo que eu tenho.
Eu me permito. Lacan falou que a gente só se culpa quando trai o próprio desejo. E cada um coloca isso no contexto que aguentar. Eu não traio meu desejo.
Nada mais importa quando meu coração dispara. A gente se entrelaça e foda-se quem foi mais ou menos tóxica. É isso, só isso que mudou: eu entendo que a gente nunca prestou pra gente mesmo. Eu vejo tudo com outros olhos agora.
E quando eu acho que eu esqueci pra sempre, mais um carnaval se aproxima e nos reaproxima de alguma forma e é sempre certo que a vontade, o tesão, a saudade estará aí... batendo à nossa porta.
Eu gosto pra caralho aquela mulher.
Eu gosto mesmo, vou fazer o quê?
E lá está ela. Dobrando a esquina.
Aqui estou, escrevendo palavras sem sentido, sem rima, sem clima e... eu já falei que o Sol deixa ela ainda mais bonita?
Passos certeiros na minha direção, o olhar dela ainda nem conseguia conexão com o meu, mas eu sabia que ela estava coberta de glitter e do meu amor. Daí eu já consigo sentir o gosto do seu gloss de cereja, seu cheiro de maconha e beijo com gostinho de cerveja, ou vinho, ou gin, ou whisky.
Meu peito ainda queima a paixão. Arde. Ferve. Minha mente ainda fareja a diversão. Isso é sempre combustível pro que não presta... é por isso a gente não supera.


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