terça-feira, 29 de setembro de 2026

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

hawk tuah

 O olho dela fica semi cerrado quando ela está irritada, eu percebo cada movimento e expressão dela, eu reconheceria essa mulher até mesmo de olhos fechados. Cada expressão, a textura que tem em cada centímetro do corpo dela. Tudo.
Enfim. Ela fica irritada comigo dentro, fica irritada comigo fora. Vai entender
Ela é ela.
Eu sou eu.
E nós? Caralho, eu não sei dizer o que nós somos, talvez tudo ou nada. Eu já tive muitas expectativas e muitas projeções, ela também, mas eu venho aqui, agora... Por mim. Porque eu, no fundo, gosto de observar ela nua, é o único momento que acho de verdade mesmo entre nós. E eu escolhi, conscientemente, me colocar aqui novamente. Uma chuva e um frio do caralho fora desse apartamento e por um momento eu sempre prefiro acreditar no amor. Mas nem sempre é isso que eu recebo. Aqui estou eu. Lá estava ela. Ela e aquele olhar que me julga, que me aponta, que me estraçalha. O que é que virou o amor quando ela falou que tudo acabou?
Sei lá. Talvez o amor sequer tenha acabado, mas eu gosto de pensar que sim. Que eu posso vir aqui, foder a noite toda com ela sem provocar nenhuma reação ou sentimento depois. Eu sei que nunca funcionou, mas eu ainda tento.
Haja água, terapia, alprazolam e sertralina, a porra toda depois pra tirar essa mulher da minha cabeça, do meu corpo, da minha semana, das minhas linhas, de tudo. Nada nunca funcionou.
A gente se gosta.
A gente se procura.
A gente briga.
A gente lida.
A gente esquece.
A gente alimenta  e recomeça o ciclo.
A gente.
A gente.
A gente.
O mal e o bem que ela me faz, eu devolvo medidas iguais. Eu não sou vítima dessa história, tampouco ela.
Eu não sei mais se consigo chamar isso de amor, talvez seja um sadomasoquismo do caralho, apenas.
Mas o nosso sexo é impecável e talvez seja o único lugar onde sejamos honestas uma com a outra. O problema mesmo é quando amanhece, o efeito do álcool e das drogas passam, os hormônios ficam mais calmos e eu lembro de tudo, ela lembra de tudo. E algumas coisas ainda doem, às vezes olho pra ela do alto do nono andar, sem nomes, sobrenomes, cargos, contas bancárias ou status sociais e eu percebo que a gente se machuca sem querer, às vezes querendo e ainda assim fingindo boas intenções. Não tem muito o que fazer no nosso caso, anos e anos nisso. Foda boa, manhã turbulenta, olhos fechando o tempo e o arrependimento de ter vindo até aqui, e continuar assistindo ela dominar meu coração tal qual um monopólio.
Mas eu estou aqui agora. Olhando pra ela enquanto ela me abre pernas e portas. Enquanto ela está molhada e eu torço pra amanhã não dar nada.
Todos os dias, antes de dormir, eu lembro e esqueço como foi o dia.
Talvez seja a maior qualidade e maior defeito também. É foda.
Alice me disse que eu só não posso transformar eu e essa mulher numa história bonita. Então eu escrevo pra lidar melhor com as manhãs cinzas.


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domingo, 13 de setembro de 2026

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

você é linda, você é livre

O feriadinho encerrava sua participação na semana do proletariado, mas ela ao meu lado... Eu nada teria a perder. Eu ficaria aqui e viveria de buceta, maconha, água, miojo e algum álcool, tranquilamente.
Uma dose de whisky, duas, três ou mais e além do mais "Jéssica, você sabe que eu trabalho amanhã de manhã, né?", ela me disse. Ela está me botando pressão, é isso? Sei lá, mas respondendo: é óbvio que eu sei. Meus planos incluem o café da manhã dela, depois de uma foda bem dada, papo de transar fortão e depois dormir fofo.
Mas ainda tá cedo, não passa de 20h agora e eu quero essa mulher nua na minha cama sem demora. Sem complicações.
Uadauel.
Uadauel mesmo.
Ela me olhava devagar, me comia com esse olhar que ela tem de quem gosta de me devorar mesmo, como quem observava cada reação minha, os olhos dela sequer se desviavam de mim e eu me sentia muito desejada. Essa mulher beira o absurdo.
A beijei como quem toma uma cerveja em plena tarde, no ápice do verão.  É tão bom. Mulher é bom.
Mas nada se compara à essa exemplar feminina muito bem desenhada, sentada semi nua ao meu lado. Caralho. Eu não sei esperar. Eu queimo a largada, eu não consigo pensar em mais nada quando eu quero uma mulher.
Mas é isso aí, né? Nós duas bêbadas, quase peladas, à vontade na minha casa. Sem cogitar o que vem depois. Completamente a mercê dos nossos desejos em comum.
Enfim.
Ela sentou no meu colo, deslizou a coxa e encaixou em mim de um jeito que me faria abaixar minha calcinha na mesma hora, mesmo que ela já não tivesse tirando. Ela é gostosa demais, tipo de mulher que mexe com o imaginário.
O beijo dela misturando o teor alcoólico ao meu, a língua dela devagar pela minha boca, lábios queixo, pescoço, corpo... E eu posso afirmar que ela decorou o meu corpo com sua saliva. Como quem marca um espaço. Meu mamilo na ponta da sua língua foi especial, de fato.
Mas vamos ao ato!  Os dedos dela cravaram as unhas na minha coxa, ao mesmo tempo em que eu sentia ela molhada, o arrepio foi inevitável, claro. Não tirava a língua de mim.
Tudo nessa mulher é uma provocação pessoal, na minha interpretação: o jeito que ela me olha, que ela respira contra minha pele causando arrepios pelo meu corpo, o jeito como a língua dela lambe meus seios, meu mamilo... Tudo.
Ela me fez entrar em combustão e eu juro que não havia água ou whisky suficientes naquela casa pra me fazer apagar esse incêndio. Talvez saliva seja a solução. Talvez seus lábios cada vez mais próximos da minha buceta me trouxessem alguma calmaria, não sei.
Olhei pra ela enquanto ela mantinha o contato visual, a boca, as mãos, tudo em mim.
Se eu pudesse, colocaria essa mulher inteira dentro de mim, tamanha a minha vontade de sentir suas digitais no meu espaço mais íntimo.
A naturalidade com a qual ela me chupa é o que torna tudo tão bom, o que é mais natural que duas mulheres bêbadas, numa casa silenciosa e uma sensação pesada de que tudo, absolutamente tudo nesse mundo poderia esperar... Mas nossa vontade de se pegar pra caralho não. Essa mulher não pode esperar. Eu também não.
Meu cérebro já é meio derretido por causa das drogas e da maconha, mas quando ela se aproxima muito tudo na minha cabeça vira uma única palavra: buceta. É isso. Não tem filosofia, não tem reflexão, não tem nenhuma palavra bonita, não tem desenvolvimento pessoal, não tem nada. Só buceta.
"Você sabe que eu trabalho amanhã, né?
Ela repetiu.
Foi exatamente aí que os dedos dela entraram em mim, com o espaço totalmente receptivo, como se ela escorregasse no mais íntimo de uma mulher com tesão. Eu não queria prudência, nem agenda do dia seguinte, fodam-se todos os compromissos, as urgências, tudo.
Só queria mesmo nós duas ali, exatamente como nós estávamos: nuas, fodendo pra caralho, se pegando muitíssimo sem se largar, a bagunça da cama, a ressaca, a garrafa de água ao lado da cama esperando por nós duas depois dessa foda gostosa.
Eu só queria nós duas ali.
Sem explicação.
Sem por quês.
Sem promessas.
Sem futuro planejado.
Perdendo a noção das horas imersas em vontade, desejo, esse fogo que me queima o corpo.
E sinceramente?
Às vezes isso já é coisa pra caralho.


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domingo, 6 de setembro de 2026

esse é o fim da tentativas

A mão dela, ávida por controle, tocou a minha. Não é incrível como a cada vez que nossas peles se encostam, parece que nós somos alguém diferente? Às vezes nos vejo tão iguais, às vezes percebo que nada temos e nunca tivemos algo em comum, tirando o fato de que nosso sexo é muitíssimo bom. Beira a excelência. Talvez isso já baste pra nos fazer voltar e voltar e voltar pra esse ciclo.
Nossos dedos se entrelaçam, nossas mãos encaixam como se fossem desenhadas para se completar mesmo. Nossas línguas se buscam automaticamente, deslizam enquanto nosso corpo se conecta porque eu tenho certeza de que ela já conhece cada centímetro do meu corpo, assim como segue caminhos e conhece atalhos.
É recíproco.
É foda.
É mais fácil teorizar sobre o fim e prometer pra mim mesma nas minhas sessões de terapias que eu não vou voltar mais... Até eu me perceber novamente dentro dela, enquanto ela rebola nos meus dedos como se ela não fosse me evitar até querer trepar comigo de novo. Como se eu não fosse rejeitar cada coisa sobre ela, até eu querer comer ela de novo. Eu acho que não quero os germes dela no meu corpo, até ela me lamber da cabeça aos pés, de novo. E eu perceber que eu sempre quero estar aqui, olhando pra cada dela enquanto ela vira o olho e me molha inteira. Desaguando em mim.
É óbvio que eu entendo a dimensão de tudo isso, mas ela é tipo vício. Eu larguei o álcool, a cocaína, diminuí os riscos e parece que nada disso adianta nunca. Às vezes eu realmente me sinto um peixe nadando contra a maré, nas águas do passado, lutando contra o apego desorganizado dela em relação à mim e ainda tem os nossos outros contras, enfim. Quando se trata da gente até nós duas jogamos contra, aparentemente.
Muitos anos tentando fazer isso dar certo e agora já acredito que se tivesse dado certo no início, jamais teríamos chegado tão longe. Talvez a mágica da longevidade desse amor bandido seja o fato de que a gente não se coloca na projeção uma da outra, mas estamos sempre deixando claro os sentimentos. Seja a raiva. Seja o amor.
Eu tenho achismos sobre isso, mas eu só posso afirmar com 100% de certeza o que eu vivi e o que eu sinto. E sobre o amor eu nunca minto.
Nada faz sentido... Até eu olhar pra ela, pedindo a luz vermelha pra Alexa, bolando meu baseado, pelada no sofá branco, na sala, me olhando ou andando nua pelo apartamento como se os corredores fossem passarela pra ela. Tudo em mim chega até ela é tudo dela chega até mim. É assim. Sempre foi assim. E afirmo que sempre será, sei lá.
E ainda assim, vez ou outra eu queria voltar no tempo. Às vezes me divido entre querer voltar pro dia anterior em que eu a vi sorrir pela primeira vez, debaixo daquele Sol, naquele verão de 2006. E às vezes voltar pra noite que eu a vi de lingerie, da última vez. Ela nua, sentada no meu colo, pedindo putaria e molhando minha perna é tipo ouvir o álbum Life, Love & The Blues da Etta James. É tarde quente, é verão... Talvez eu não queira esquecer o quanto isso é bom. Ela sorrindo já me faz ganhar minha noite, é foda.
Então por que a gente não se cola? Sei lá. Só sei que eu faço qualquer coisa pra encontrá-la, faço absolutamente qualquer coisa pra matar seu tédio.
Porque ela me habita. Com tamanha naturalidade que me assusta. Ela ocupa espaços em mim, sabe aquela parada sobre sentir involuntariamente? É isso.
Ela me ganha.
Isso me assusta também.
Penso que, às vezes, ela não me quer, só quer as outras não me tenham.
Mas eu tô aqui agora.
Com três dedos dentro dela, sem conseguir me concentrar em mais nada, além dela molhada pedindo pra eu não parar, me chamando de amor. A vida é mais colorida nesse ângulo. Tem mais sabor.
Essa mulher ainda vai me deixar maluca.
Mas aí ela pede mais forte e eu obedeço. 
Celeste canta ao fundo: "I wonder how you leave when I know there's no place to go, and I wonder how you still move me to a place where I have no control."
Ela goza e sorri.
Eu sorrio com a satisfação de quem atinge em cheio o objetivo.
O golpe baixo aí...
Depois ela que goza eu esqueço de tudo.
Isso que é foda.


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