Nada vai se resolver em um mês.
Não sei quando foi que eu achei que tudo ficaria em maré baixa depois de uns dias.
E eu juro que tentei muito, que pensei muito... Mas lá se foi quase um mês inteiro desde que ela decidiu meter o pé dessa história. Quantas desventuras de amor eu vivi no silêncio da minha consciência? Ou da falta dela? Vários!
Quanta saudade trinta dias conseguem abrigar?
Há quantos anos eu escrevo textos de amor para ela?
Quantos poemas ela ganhou, ao telefone?
Quanta falta agora eu sinto de ouvir ela falar com aquela paixão amadora - que eu sempre amei - sobre tudo aquilo que ela gosta e acredita...
Quanto tempo até eu esquecer disso tudo?
Quanto tempo até eu superar a porra dessa história?
Fiquei sabendo hoje, sem querer, através de um amigo em comum que ela voltou a morar com os pais no litoral, que comprou outra caneca nova e igual. Que ela anda muito chata, não parece normal.
Eu também não.
Como esquecer se eu sou dominada pela saudade dia após dia, hora após hora?
Eu vejo que talvez os defeitos nem sejam tão chatos assim, só eu que fui implicante. Hoje eu acho que se ela acendesse um cigarro aqui, eu me juntaria ao lado dela e aceitaria um para que eu pudesse dividir algum momento com ela. Tudo é muito irônico. A amiga dela fumou aqui, onde eu impliquei que ela fumava. E não me incomodou.
Ainda torço para que ela não me esqueça.
Por que eu não vou esquecer, aliás.... Como esquecer? Se isso me mata a cada dia um pouco mais? Se eu já chorei tantas e tantas lágrimas com sabor de água do mar que acho que esse quarto virou um aquário, é possível que eu tenha virado um peixe que nada nas próprias lágrimas? Um peixe francês, soturno e muito triste... sei lá. Ela me magoa por hobby, mas eu não penso em dar troco nenhum dessa vez... eu preciso fechar a conta.
Tudo é muito irônico, mesmo... Eu transo com a amiga dela para esquecer alguém que eu vou lembrar pra sempre, e não importa o que eu faça, não importa a atitude que eu tome, isso segue o curso dos desfechos típicos, vida corre normal, eu ainda acordo, durmo, escuto os pássaros cantando na minha janela, ainda gosto das mesmas coisas, ainda escuto as mesas músicas e ainda acredito nas mesmas ideologias.
Ela, mesmo que eu a enxergue diferente, ainda é ela.
Eu continuo sendo eu, ainda, e eu sei que há uma imensidão de mim... em mim... meu nome ainda é caos mas eu nunca mais quero ter que me apresentar pra ninguém.
quinta-feira, 30 de novembro de 2023
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
"Cartas 💔" 29 - E não é essa minha intenção!!!
Já se passou quase um mês inteiro desde que ela foi embora e até agora eu não entendi nada do que se passou aqui. Nada.
Como é que eu posso acreditar que eu vivi uma parada real nos últimos anos se ela parece outra pessoa, agora? Claro que eu não quero que ela seja pra sempre a mesma pessoa, mas cada minuto desse término me faz acreditar que talvez eu queira sim, é foda entender. Eu só quero que ela seja ela. E que a gente seja a gente, de novo. Como sempre fomos, como nos reconheço.
Todos os dias quando eu acordo eu penso, mas eu não queria pensar.
Eu tento esquecer isso, me desapegar, me desprender... Mas não dá.
Só quero ter de volta os souvenires, a caneca, as alianças ou qualquer outra tranqueira decorando minha estante.
A falta do sorriso dela pela manhã é algo que me rouba a capacidade de ficar em paz, em alguns dias.
Me sinto relutante em sair de uma situação cíclica. Entrelaçada numa trama ótima... Mas que cada dia mais me mostra que sofrer cansa.
terça-feira, 28 de novembro de 2023
"Cartas 💔" 28 - Je ne regrette rien
Eu me sinto, ainda, ligada à essa história, como quem continua atada ao que já se foi, ainda há bolas gigantes de metal e âncoras de ferro por aqui. Eu não entendo sinais, eu preciso das perguntas. Eu sei que ela sabe disso, mas é como se cada pergunta dela matasse minha certeza sobre tudo que vivemos.
E eu sei que tudo que eu fiz ou faço é porque pra mim é o correto e eu nem queria ser filha da puta, mas às vezes eu cedo espaço demais pro ódio, amor e pra líbido fazerem morada nessa casa. Em revezamento. Nunca ao mesmo tempo.
Em resumo: se ela não me liga, eu não ligo. Porque entendo isso como se ela não quisesse falar comigo. Se ela não me procurar eu acho que nunca mais vou dar o ar da graça na vida dela. É assim que eu interpreto, eu não lido, eu não sei fazer contato.
E assim seguimos.
Assim seguiremos.
O silêncio dela sobre nós ainda é algo difícil de receber. A saudade deveria ser normal aqui? Se eu cedo pra saudade, me sinto fraca, se eu cedo pra libido me sinto arrependida, e sinto que eu sigo usando transas desesperadas para esquecê-la.
Nada muda.
Nada mudará.
Como eu posso exigir algo dela se, mesmo depois de tudo no sábado passado transei com a amiga dela de novo, depois do trabalho? Como eu posso exigir que ela me desculpe, sem que eu peça desculpas? Como querer que ela fique em paz se eu sei que ela vai saber que eu transei com outra mulher no mesmo ritmo que com ela, na mesma cama...?
Me arrepender já não adianta. Coloquei, então, meu arrependimento pesado no bolso, hoje eu não posso fazer porra nenhuma além disso.
02h02
Das coisas que eu gosto, sexta
Das coisas que eu amo, ela
Subo a rua, o clima frio
Quando eu a toco tudo aquece, embala
No balanço do amor improvável
Escondida com ela sobre o telhado de uma tia
Que nós temos acesso pelas vielas ali de cima
Vemos metade da cidade em tons claros por causa dos postes de luz laranja
Assistindo pessoas apressadas correndo com seus carros
Na avenida que corta tudo lá embaixo
A fumaça do baseado sobe em silêncio
Daqui, ninguém nos flagra
Ninguém nos para
Ela me beija a boca e não dizemos nada
Entre sussurros, encontro as palavras
Certa não estou, mas a atração me domina
Eu olho pra ela e vejo vivo o fogo da saudade
Que me bate em toda vez que a vejo
Madrugada chuvosa, viela da esquerda
No final da viela tem balão, treta e copão
Mas no meio tem nós duas
Nuvem, chuva, Lua escondida
E um envolvimento que nos corrompe
segunda-feira, 27 de novembro de 2023
"Cartas 💔" 27 - Meteoros em colisão
Eu deveria ter imaginado, né? Que algo poderia ficar errado depois do reencontro. Mas eu não poderia prever e esperei que ela cumprisse tudo à altura das minha expectativas, que são só minhas... Agora o peso de uma segunda feira egoísta, mal resolvida e mal humorada chegou, e eu só desejo o reembolso do meu tempo gasto e arrependido.
Não tão arrependido, mas eu quero falar que sim pra dar embasamento pras minhas lamúrias.
Eu falo dela como se só ela fosse o caos, eu não. Só ela fosse filha da puta, eu nunca. Só ela fosse otária, eu não porque afinal... O inferno é sempre o outro, né? O inferno é a ausência dela. Não ela, ela é a maior delícia e paraíso que já foi colocado nessa terra. O melhor trabalho de Deus. Uma pintura viva que agrada meu olhar em demasia.
Eu queria não ser tão arrebatada por essa vontade imensa que sinto dela e de tê-la por perto, porque agora eu só quero se for do jeito que eu quero. Às vezes fico puta e não entendo porque ela não volta se há dois dias atrás ela ficou a noite toda me olhando como se só me amasse há umas dez horas, aquele frescor fugaz de uma paixão nova, mas na verdade tem dez anos. Eu sei, ainda estou aprendendo à lidar comigo... Imagina com ela.
Somos dois planetas, dois meteoros em rota de colisão, uma vez ou outra dá susto e choque quando está perto.
Vai ver é exatamente por isso que ela não volta.




