segunda-feira, 6 de maio de 2024

quinta-feira, 2 de maio de 2024

ontem

7h10. Uma manhã amena e preguiçosa nasceu e os olhos dela sequer se fecharam. Eu acho que ela deveria cortar as drogas e os vícios ruins, mas acho que isso também iria incluir nossa relação.
Eu odeio quando amanhece, mas dependendo da situação eu acho até melhor. Mesmo sabendo que quando me encontro aqui, já não há mais salvação.
Ela me olha com todo afeto de quem me ama há no máximo duas horas, mas na verdade esse bololô já tem tantos anos que às vezes me questiono o que é que há. Como deixar pra lá mesmo sabendo que a história é minha também e eu posso fingir que isso nunca existiu se eu quiser? Posso fingir, mas sei que está lá... Vivo. Com dois olhos gigantes e atentos, escondido no cantinho da minha memória quase deletada, no escuro. Deve estar absorvendo mais Sartre do que eu lá de cima dessa pilha de memórias incríveis reduzidas à poeira. Eu posso esquecer o nome do perfume dela, mas jamais esqueceria o cheiro. Eu posso deixar de pensar no quão simétrico e bonito é o rosto dela, mas jamais esqueceria das expressões em cada uma das situações que já vivemos, dos extremos. Dos lugares escuros onde o nosso amor já colocou os pés. Das manhãs ensolaradas e claras onde ela me abriu uma brecha terrível pra realidade de que o tempo não pararia pra nós. Desfilamos nas horas rápidas, mas tão rápidas que arrastamos isso pra uma eternidade de tempo. É foda.
Não é incrível como ela consegue, ao mesmo tempo, ser a mulher mais incrível e mais filha da puta do mundo? Eu acho.
O custo de esquecer é muitíssimo alto, e eu sempre invento de pagar parcelado. É nisso que dá: recaídas, recaídas, recaídas. Pagamento de taxas de juros emocionais muito mal resolvidos.
Ela gritando pra falar que me ama, eu continuo achando que é mentira porque não sei entender direito o que ela sente, na minha cabeça essa mulher só fode e mente. Eu nem sequer absorvo nada gritado.
A distância entre o passado e o presente que vivemos é tão curta, mas o futuro está tão longe das nossas mãos.
Metade de mim ia amar nunca tê-la conhecido. E outra metade de mim gostaria de esquecê-la.
Mas uma pequena parte de mim, avulsa e independente ainda segue maluca por ela. Segue fervendo o amor no peito, segue enlouquecida e entorpecida de amor.
É... Eu acho que nunca vou aprender porra nenhuma com isso.



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à propos de l'anniversaire

Ontem ela me ligou pra falar que adoraria me encontrar, na mesma hora já se instalou uma sensação gostosa dentro de mim e é claro que eu arrumo uma brecha e digo que dá. Ela diz que tem algo pra me dar. A curiosidade não mata essa gata aqui, mas facilmente e propositalmente eu caio nessa lábia que ela tem. E além do mais, eu amo quando ela vem pra cá e fica um pouquinho comigo dando... uma quebra na sua rotina agitada. Ela disse que hoje vem porque sexta foi um dia especial, eu digo "especial? que nada!". Eu sou perrequeira e acho que é desculpa, ela sempre precisa de um motivo e eu penso que especial é quando ela vem.
E quando ela chegou, me entregou um pacote vermelho paixão, dentro tinha um mimo que só quem me conhece muito bem me daria, além de um isqueiro novo, segundo ela porque sabe que eu sempre preciso e alguns bombons. Tem também um cartão, escrito à mão, dizendo que tava com saudade e que isso não deixa nada bom.
Acho que é hora de resolver isso, então!
Bolei o beck, abri o vinho, brindamos algumas vezes, de pertinho entre beijos sabor frisante rosè, contamos novidades dos últimos meses e segui até o máximo de onde minha interação normal consegue ir, depois disso eu converso com ela de outras formas.
Às vezes nós duas sequer precisamos de palavras porque eu converso com ela língua na língua, boca a boca. Eu digo que amei a visita, tocando seu corpo. Ela retribui o diálogo particular sentando no meu colo, me beijando sem pausas, eu não consigo recuar, ela molhada me obriga à entrar... Sem parar... Meus olhares entregam a paixão... Eu não quero dizer nada, portando não digo. Eu quero sentir. Ela, ofegante, me pede mais rápido. Acelero então o meu diálogo. Tão rápido, mas ela mantém a conversa, o pique. Tudo.
Ela é foda.
E eu escrevi esse texto pra agradecer a sentada. Meu maior presente, com certeza, ainda é ela pelada.


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quarta-feira, 1 de maio de 2024

no guardanapo 19

Dizem que é impossível de desconhecer uma pessoa
Mas olhe pra nós...
Ela sequer sabe as coisas que eu gosto
Ou minha cor favorita
Desconhece meu gosto musical
Aposto que - sobre mim - ela nada lembra além do meu nome
Aposto que se alguém perguntar de mim pra ela
Ela diz que só me conhece de vista


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