Acendi meu último baseadinho enquanto assistia a chuva caindo na cidade ensolarada, transformando-a numa cidade cinza igual onde eu moro, tempo triste, parece que suga a energia e a felicidade da gente, sei lá, tudo revolto. Não tem felicidade alguma nos domingos, no dia dezenove desse mês e nem nos dias de chuva. Só um baseado e áudios dela cantando e cantado mal, pra trazer cor de volta, pra me fazer rir. E ela? Jamais seria feliz sem Sol, eu acho.
Nos encontramos em uma praça próxima à casa dela. Não demorou muito até eu avistar o carro dela e a ansiedade por vê-la novamente tomar conta de mim. Eu sempre volto pronta pra um diálogo sobre tudo ou dividir algum tempo de silêncio ao lado dela, o que ela quiser. Tá paz. Mas quero confessar que corri até ela com os dedos cruzados na torcida para que ela já estivesse com a chave virada em relação a mim e a nós, e tudo mais. Porque de mim ela sabe que sempre pode esperar um abraço apertado - independente da situação - pelo menos isso ela sempre teve, tendo em vista que eu sempre voltei após cada desentendimento entre nós. Lá estava eu novamente, pronta pro próximo impacto, com todos os problemas superados e perdoados, esquecidos mesmo. Acho que obtive a paz de não remoer as coisas ruins, não consigo mais me manter ocupando espaço de pensamento revivendo ressentimentos, nem as mágoas, nem porra nenhuma porque o ódio é uma mala pesada demais e o passar dos anos foi me deixando cada vez mais preguiçosa de carregar qualquer pessoa ou sentimento que não agrega, que pesa. Já não gasto energia com isso. Vou denominar meu estado atual de semi-paz porque eu ainda me acho perturbada e perturbável pra caralho, o próximo passo é ser um pouco mais paciente, talvez menos explosiva ao ponto de achar que muita coisa seria melhor resolvida com um tiro no pé ou na mão.
Enfim.
Eu estava quase chegando até ela quando apaguei o baseado, a ansiedade bateu mais forte. Assim que eu me aproximei um pouco mais, ela me encarou firme, derreti, quis correr. Pra ela e ao mesmo tempo dela. Quis ir embora e ao mesmo tempo levá-la comigo, inferno de mulher. Deu mesmo vontade de fugir como nos velhos tempos... mas não sou eu que falo que cheguei até essa cidade com meus próprios pés? O perdão é uma escolha, mas o esquecer é uma dádiva, e isso está em minhas mãos.
- Ah, Jéssica... - Balançou a cabeça. Me vê e ri, sorri, sei lá. Toda vez. Eu gosto quando ela fala o meu nome. Pude sentir um pedido de desculpas não verbalizado, não necessário, não vim até aqui procurando isso. Ela apoiou a cabeça ao banco do carro, o olho no olho. - entra, tá frio.
Assim que entrei no carro em pleno horário de sessão da tarde, numa tarde bastante cinza e chuvosa foi como se ela pudesse mesmo mudar instantemente o clima, botar um sol brilhando na máxima lá fora. Eu só consigo desgostar dela quando eu tô longe, igual droga. Com ela próxima, nada mais importa... toda vez que eu a beijo, é como se ela fosse um super ímã, meu corpo procura contato e não cansa até encontrar, ela não recusa e é sempre bom. Quando eu a toco eu sempre imagino que seria delicioso ter mais mãos para que eu possa sentir um pouco mais dela. Quando ela se deita sobre mim e o perfume da loção pós banho gruda na minha camiseta é tipo um pedaço de amor que eu carrego comigo, tipo souvenir, mas o que a gente se presenteia mesmo é na ajuda da construção e manutenção das deliciosas memórias celulares das trepadas que a gente acerta e encaixa, dando forma, corpo e gosto à tudo que a gente imagina e quer uma com a outra, sexualmente falando. Ela não me deixa passar vontade, eu também não arrego e assim seguimos.
Enfim.
Acho que hoje tinha mesmo um Sol brilhando dentro do carro, tinha amor, maconha, beijo na boca e reconciliação. Je ne regrette rien.
Eu quero sentir esse hype. Eu quero aproveitar essa brisa, mas quero agora. Não porque temos pouco tempo, temos todo o tempo do mundo... mas sim porque eu sei que tudo muda muito rápido igual maré, então é por isso que quando eu a amo, eu a amo com pressa, quando eu a amo quero ela centímetro por centímetro. Quero devorar ela até eu não aguentar mais, até minha mão cair, foda-se, uma só nunca é o suficiente. Eu quero olhar pra ela até decorar ela inteira, até eu conseguir reproduzir a risada dela dentro da minha cabeça, se eu quiser. Recentemente troquei de óculos e aparentemente esses também não podem me ajudar... Eu continuo cega, perdida no mundo e morrendo de amor.
quinta-feira, 15 de setembro de 2022
domingo, 11 de setembro de 2022
alvorada
O beijo dela tinha o gosto da minha gota e do meu corpo. Tudo com ela é tão gostoso.
Mais uma noite que nós saímos do jet sem nem dar tchau porque ela foi rápida e me fez o convite que eu queria e ela também, me tira de qualquer lugar a hora que ela quer... Essa é a grande verdade. E e o toque da alvorada foi comigo sentindo ela molhada, entregue, deliciosa e retribuindo meus dois ou três dedos dentro dela com aqueles gemidinhos gostosos que ela me presenteia, que é delicioso de ouvir, que me incentiva. O olhar normalmente vem combinado com ela me puxando pra mais perto, eu colo nela, queria me fundir enquanto fodo, sei lá. Que porra de ideia de se abraçar sem roupa, no ápice da vontade de transar com essa mulher? Não sei, mas meu olhar implorava pra gente não sair de cima da outra nunca mais... ou até a gente não conseguir mais porque nem mesmo o cansaço trazido do dia e noite anterior e a sobriedade chata de uma quase manhã inibiu a intensidade dessa nossa foda gostosa. Ela sabe que eu fico maluca com beijo na boca e trepadas sem pressa, então ela me beijou lento por um bom tempo. A língua dela na minha, os seios tocavam os meus também, como que faz pra tirar as mãos dela?
Pouco depois, em pé, apoiadas na mesinha no canto do quarto dela, eu mal podia me lembrar de tê-la despido. Mas sei que nós duas nós encontrávamos nuas, suadas, grudadas... Ela nua tá entre as top três obras de arte mais lindas que eu já pode contemplar pessoalmente, mas ela foi a única que eu pude tocar. Eu podia sentir ela molhada, ainda, apoiada na minha coxa, podia sentir ela pingando, igual a mim.
- Cê é gostosa... - sussurrei e ela sorriu, fez a expressão que me pede buceta. E quando recomeçou eu ganhei beijos pelo corpo, descendo, sacou minha calcinha pro lado, ela me chupava, me beijava, me olhava... e tudo de novo logo após. As pontas dos dedos cravados no meu quadril me trazendo pra mais perto, tesão animal, a voracidade lasciva que só a saudade e ansiedade que eu estava de dar pra ela poderiam nos proporcionar. A pressa e vontade de tê-la entrando em mim enquanto eu rebolo, às vezes, dispensa preliminares. Me olhava impressionada toda vez que eu rebolava, disse que eu a surpreendo porque minha cara não diz que eu faço isso. Rebolo enquanto ela me come porque meu hobby é perturbar a cabeça dela, porque é gostoso e me falta muita vergonha na cara. Ela sabe que me ganha principalmente quando sabe que eu já tô na curva, fora da linha. As únicas duas coisas que quando me são oferecidos eu nunca recuso não importa o horário é buceta e maconha. Os dois juntos então? Pura sorte.
Me chamou de cheirosa, de gostosa, parou o beijo... me olhou e me beijou novamente logo em seguida. Perco tudo. E se ela continuar me olhando assim, tudo que acaba recomeça logo após. Se a gente trepar de novo eu fico apaixonada, só mais uma... mais uma eu viro fã-girl.
domingo, 4 de setembro de 2022
chá, chá, chá
Dentre todas essas pessoas que vem, que vão, que passam e eu sei que não me cabem...Ela é a que eu mais gosto quando está, quando vem, quando cabe e encaixa, quando permanece mesmo que naquela janelinha de tempo na rotina apertada e chata que ela tem, eu gosto dela porque é ela. Por tudo e porque sim. Por cada detalhe dela, gosto porque eu fico demasiada encantada quando ela me olha com cara de sono e saudade, adoro quando ela dorme comigo aos sábados, pela tarde. Eu taco beijo, dedo e massagem. Esse é o pique.
Ela tem cheiro de chá de maçã e olhares atentos ao me descobrir, ao me redescobrir de manhã, deliciosa como somente ela mesma, me veste inteira de amor e tira minha roupa toda vez fazendo eu me sentir uma pedra preciosa, uma caixinha de tesouro, uma grande gostosa. Eu dou risada porque acho graça, fofo, único, calmo... Ela fala comigo devagarinho, me beija e rebola lento, e ela faz cada coisa como se soubesse que isso é basicamente meu ponto fraco. Ela me impressiona em tudo que faz comigo e me faz sentir ao me deixar inteiramente recoberta com as impressões digitais, saliva e amor.
Eu saio da casa daquela mulher e ela já construiu um duplex pra morar sozinha na minha mente. Que se foda que é temporariamente.
Ela é audaciosa, cria as situações e me pega. Gosto dela.
Me sinto apreciada encontro pós encontro. Na minha casa, na casa dela, em qualquer lugar... Apreciada mesmo. Apreciada igual ao chá que ela ama, igual ao chá de buceta que ela me serve sempre quente, apreciada igual à minha fumaça e igual eu também a aprecio em cada sentido da palavra. Em cada encontro. Mas não somente isso. Ela me tem de um jeito dela, informal, pessoal, solto, dela. E eu adoro essa atração barata. Ela me ganha e me leva quando eu tô no alto da minha vontade e nos dias introspectivos também, onde eu não quero ouvir ninguém e nem fazer contato visual. Mas se for com ela... eu quero. Porque ela me deixa high. Sem precisar de nada além dela mesma. Ela é puro êxtase.
Eu gosto quando ela bola meus beck, tira minha roupa,, beija minha boca, me conta coisas idiotas, e depois escolhe um filme que minha hiperatividade não vai me deixar ver. Ela me beija, me olha e sorri. Eu não aguento sorriso no beijo. E daí a gente vai chegando mais perto na cama, e é gostoso como a gente soa encaixadinha principalmente quando a coxa dela está sobre a minha. Eu sei que escrevo somente sobre sexo, mas entre nós não é o ponto principal, e às vezes é pra ser só um amasso, mas quando se trata dela fica impossível não ter conotação sexual. Ela me deixa maravilhada, encantada. Fora de mim. Sabe atração animal? Ela longe me restam somente memórias celulares, siririca e saudade.
Ontem choveu. Lá fora chovia e dentro do meu quarto bagunçado... ela me molhava. Me bagunçava também. Ela é ótima nisso. A melhor. Eu sei que ela sabe e - sei também - que ela gosta. Ela é dessas filhas da puta que nascem pra mexer com a gente.
Detalhadamente eu escrevo pra lembrar depois. Pra não esquecer de nada, sobre ela? Não quero esquecer nenhum segundo do que aconteceu mesmo sabendo que não tem como esquecer dela me chamando de gostosa e de bonitinha tão pertinho. Ela ali depois de muito desejo, nua me beijando quase que sem parar no ápice da última vez que estivemos juntas, eu maravilhada e sem cansar. Lindo de ver o tom de pele dela se misturando ao meu e tudo isso misturado ao vermelho do meu led refletido no teto, eu amo ela junto com as minhas luzes coloridas. Traz cor pra minha vida. Brilhante. Ressaltava as sensações, um pacote de emoções deliciosas que eu gostaria de conseguir explicar mas não consigo. Nada do que eu escreva é suficiente pra deixar claro o quanto eu adoro tudo isso, ela é mais que qualquer palavra dessas. Ela é meu sorriso quando eu a vejo, ela é meu abraço mais apertado. Só sei que gosto de verdade dela.
Tá paz!
terça-feira, 30 de agosto de 2022
olhos ressaca, texto sincero
E mais uma vez eu estava lá, olhando pra maquiagem dela borrada. Me sentindo extremamente cansada. Longe pra caralho de casa, me colocando em situações que eu não gosto. Em lugares que eu não suporto. Beijando o rosto e ouvindo opinião de gente que eu nem gosto. Me colocando inteiramente dentro dessa situação chata e viciosa... Abrindo a porta no chute dessa situação insuportavelmente cíclica. Viciante mas sem propósito, sem empatia. É só isso mesmo que ela espera de mim? Uma troca mútua de decepções e retaliações sem nenhum sentido? Ela só me chamou aqui pra me cobrar por coisas que eu odeio ser cobrada? Por coisas que não tem cabimento ela me cobrar? Mais uma DR sem R. Sem fundamento.
Eu não escrevo pra responsabilizar ela por nada - pelo contrário - eu escrevo para que eu possa ler amanhã ou qualquer hora dessas, com a cabeça mais fria, o coração mais sossegado e perceber que eu tô me deixando ser levada, pra me lembrar que barco desgovernado o mar engole, afunda ou leva pras pedras. Ela às vezes parece criança quando entra na fase de desafiar adulto e eu otária que sou... sigo me permitindo que ela me leve no limite da explosão emocional, o próximo passo é ela encobrir os erros dela citando os meus.
Eu não gosto do cheiro dela misturado com o cheiro do álcool porque sei que nunca vem positividade logo após, só a mesma sensação bosta de sempre: cheia com todo o vazio que ela me preenche, solta e desprendida na zona do total desconforto e a certeza de que a noite vai acabar comigo tirando ela do rolê sendo extremamente otária, deixando marcas no braço dela porque ela me ataca, talvez ela sinta tesão em ver minha face tomada pelo ódio, então ela fala coisas que não deveria e chama as falas de "verdades", faz a paciência tatuada no meu dedo não servir de nada. Eu não tremo. Não cedo e não deito.
Meus olhares arrependidos olham pra ela... olhos ressaca. Lá estavam os esperados olhos castanhos tempestuosos que me imploram por alguma atenção ao mesmo tempo em que me fazem sentir extremamente preterida, rejeitada mesmo. E eu odeio quando ela faz isso. Mas quando ela entra nessas brisa errada de que eu nunca quero nada com nada, supondo ou manipulando meus sentimentos.... isso me gera raiva, mais nada importa pelo menos não pra mim - queria ser baseada em sentimentalismo, mas não consigo... ela é presa nesse looping de tentativas burras de lidar com tudo de uma vez, com muito mais do que o emocional dela - ou o meu - permite. É complicado. Eu não sei lidar, e às vezes nem quero também. Eu quero mesmo é fugir pra não olhar pros olhos dela quando as cobranças chegam, quando os contras são bem maiores do que os prós. E ainda assim... Eu não a culpo. Foda-se. Eu sou explosiva, mas já não quero vingança. Sorte minha e dela que eu só falo merda, pego ela pelo braço, encho o saco e não tô nem aí pra opinião dela. Reconheço meus erros, aceito meus defeitos. Peço desculpas e não estou tirando meu peso de culpa, minha parcela das escolhas erradas. Nada. Mas a minha vida é só minha e o que ela pensa sobre mim, não me importa. Só de tentar me julgar ela já está errada... eu não escuto grito e não batalho pra caber no espaço de ninguém. Além do mais, eu só consigo saber e entender o que se passa na minha cabeça... mas daria quase qualquer coisa pra saber o que se passa na cabeça dela por que no papo? Eu não estaria transitando entre minha cidade e esse apartamento do nono andar se eu não fosse louca por ela. Eu venho porque sinto saudade, já me questionei pra caralho isso, mas é só vontade. Venho porque ela me quer aqui, também. E infelizmente ainda há alguma busca por algo, seja lá o que for... Nem que seja uma trepada certeira, um beijo na boca. Às vezes eu acho que não quero olhar pra ela novamente nunca mais... e eu vou vivendo tranquilamente até olhar novamente pra ela de novo, até ela se fazer presente e eu achar que eu poderia mesmo olhar pra ela em todos os dias da minha vida. A distância entre nós tem um sabor amargo, difícil de engolir.
Distâncias físicas.
Distâncias que só existem na nossa cabeça.
Distâncias.
Eu sigo aqui, consciente e cúmplice de tudo que eu mesma me faço. De cada sentimento que eu faço ela sentir. De como eu sou maldosa e fodo com a autoestima dela, em contrapartida na maioria das vezes que eu a encontro, sou derrubada sem paraquedas lá do topo das minhas altas expectativas, pelo menos aproveito a queda, o frio na barriga e o vento na cara.
Amanhã é outro dia... Então amanhã eu que lute e hoje quero mais é que ela se foda.
Iboa.
segunda-feira, 18 de julho de 2022
todos os dias antes de dormir lembro e esqueço como foi o dia
Os primeiros raios de sol que decretaram o fim da madrugada a deixaram ainda mais bonita. Fiquei pensando no quanto eu gosto dela. No quanto eu gosto quando ela me chama, quando ela faz questão de me ver. Mesmo que nem sempre seja pra sei lá... só suprir alguma lacuna emocional, às vezes é só carnal. Carência. Saudade. Não importa, eu amo e que se foda. Eu amo cada encontro e sempre lutei muito pra que a gente não ficasse querendo dar sentido e simbologia pra tudo, por isso cada encontro até hoje, até aqui foram como o primeiro. Sempre conhecendo um pouco mais dela, mas nunca muito... estranho, até. Tudo sempre do zero. Por mais que eu goste, até isso cansa, enfim.
A varanda do quarto dela totalmente aberta me permitia uma visão dela em alta definição. Clara. Bem iluminada. Dentro do meu abraço. Mais iluminada. Até despenteada. Cara de sono e rebordosa clássica e evidente de quem usou droga, bebeu algumas coisas, trepou pra caralho e dormiu mal, um déjà vu com uma colher a mais de açúcar e uma dose gigantesca a mais de amor, o afeto jogado aqui... em uma de suas formas mais puras. Tudo muito melhor e muito mais genuíno do que eu poderia imaginar, desejar ou prever. A sensação de conforto foi predominante pra mim, inédito. Juro. Paz demais. Liberto. Solto. Zero conflitos. E pra mim é isso que eu acho que o amor precisa ser: segurança, reciprocidade e paz. Cais. Eu prefiro ser a mulher que sou hoje, que silenciou as inseguranças de antes e prefiro a mulher que ela é hoje, silenciando as incertezas de agora. E eu me orgulho da mulher com a maturidade e responsabilidade que ela se tornou porque sei que a principal diferença entre nós é que eu sempre fui cercada de amor e segurança desde pequena, e ainda sigo numa tentativa de melhorar todas as minhas relações - inclusive com ela. Demorou até ela finalmente entender isso, baixar a guarda e querer o mesmo. Sem criar batalhas, sem me fazer criar barreiras, sem retaliações idiotas ou desgaste emocional porque eu já não tenho mesmo mais idade pra isso, nem paciência.
Na madrugada tudo que eu tinha era o silêncio de paz dentro da minha cabeça, o ambiente sendo preenchido pela minha voz e as risadas dela por qualquer coisa boba que eu falo. Ela vai rindo, rindo, rindo... E de repente quando eu percebo, a gente se agarra, se pega pra caralho. Eu me sinto muito atraída por mulher feliz e por mulher filha da puta. Ela consegue ser os dois, é sobre isso. Gosto do sorriso dela quando está comigo, da risada, da nossa aproximação espontânea e principalmente de como toda vez em que a gente se encontra o toque, contato, estar no mesmo ambiente se torna algo necessário pra nós. Por isso eu gosto de equiparar ela à um vício porque é na mesma intensidade que eu vivo, absorvo da mesma forma. O mesmo impacto. O mesmo arrependimento no pós.
O que ela não se propõe a fazer que ela não concretiza? Nada. É foda.
Meus dedos buscaram contato com ela a noite toda, a pele macia do braço, o calor das coxas encontrando o morno das minhas mãos. A ponta dos dedos na barriga dela, o carinho leve e ela sonolenta quase dormindo, mas querendo viver tudo ali comigo. A vida preparou pra mim um cenário ideal, a cama, a luz do quarto, todo o espaço e ela totalmente dentro dentro do meu abraço, clichê, a sensação de segurança era prevalente. Essa foi uma das poucas em que adentrei o apartamento do nono andar tendo muito claro que eu queria estar ali.
As mãos dela também me buscaram boa parte da noite e tudo parecia sonho demais pra mim. Sem a minha busca incessante por sabe-se lá o quê, sem ela me cobrando coisas que eu odeio ser cobrada. Sem nada, nada de ruim, nada de tenso. Nada mesmo. Nem olhos castanhos fechando o assunto e o clima.
E foi mesmo muito tempo até aqui, muitos encontros onde a gente estava desencontrada e sem propósito nenhum. Não que agora tenha um grande propósito, não há - pelo menos não pra mim. Só queria um momento ao lado dela e acredito que são só as coisas seguindo o rumo que a gente dá pra elas. Os sentimentos tendo o peso que a gente dá pra eles. E além do mais ela sabe que eu não vou ficar guardando rancor nenhum.
O charme dessa mulher é inquestionável. Me agarra, me enlaça. Eu não consigo não prestar atenção nela. Quando ela me olha parece que me arranca suspiros, me rouba mesmo o ar e me preenche com tanta paixão que às vezes chega a ser demais pra mim. E tudo estava lá, diante de nós, acontecendo. Insuportavelmente e deliciosamente encaixado. Ligado. Certo. Continuado. Como se a situação toda tivesse sido muito esperada por mim, por nós. Foi como se eu nunca tivesse passado um dia sequer longe dela, eu dormi e acordei na brisa. Eu dormi e acordei com ela ali, dentro do meu abraço... totalmente nua, despida de orgulhos, do ego e dos medos. Via de mão dupla.
Foi difícil sair da cama.




